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Cristão Relutante

Nada como um bom título de CD, quadro ou livro. É feito cereja no bolo.

Foi a impressão que tive quando li a obra de Donald Spoto, cujo título não poderia ser mais apropriado: Francisco de Assis, o Santo Relutante.

Um santo homem que dispensou o título, talvez por não achar-se digno dele.

Ou talvez por sua indiferença às instituições, seu desapego radical a tudo o que se cristaliza e acaba engessado.

Mas aí pensei em meu próprio bolo, minha trajetória de vida.

E o subtítulo da biografia de São Francisco me fez pensar em um subtítulo para a minha. Uma cereja nem um pouco saborosa.

Aí cheguei a esse aí em cima, “cristão relutante”.

Antes que me ataquem pedras (o mundo virtual é um lugar perfeito para esse tipo de comportamento), meu problema não é com Deus. Lembrei de uma canção do Keith Green (1953-1982), músico e compositor norte-americano que chacoalhou o ambiente da música cristã de lá no final da década de 1970, início da de 1980, intitulada “How can they live without Jesus?” (Como eles podem viver sem Jesus?):

Cause phonies have come
And wrongs been done
Even killing in Jesus´ name
And if you´ve been burned
It´s what I´ve learned
The Lord´s not the one to blame

Em tradução bem livre, o que ele diz é o seguinte:

Porque impostores têm vindo
Erros têm sido cometidos
Até mesmo matar-se em nome de Jesus
E se você tem se ‘decepcionado’
O que eu tenho aprendido
É que não devemos colocar a culpa em Deus

Minha relutância não é em relação à pessoa e à mensagem de Jesus. Amor ao próximo, misericórdia, generosidade, compaixão, sensibilidade, bom senso, a esses pensamentos, sentimentos e atos transbordando numa pessoa, não há coração de pedra que resista.

Minha relutância é ao que tem sido feito de tudo isso.

Empreendimentos milionários, organizações gigantescas, instituições burocráticas, templos suntuosos e na maioria das vezes inúteis parecem não combinar, não fazer sentido à luz da mensagem-pessoa.

Diante desse cenário esquizofrênico, talvez nos reste o silêncio.

E o sábio conselho do relutante Francisco, “prega o evangelho, se for preciso, use palavras.”

Jorge CamargoJorge Camargo
Considerado um dos principais músicos cristãos da atualidade. É mestre em Ciências da Religião pela Universidade Mackenzie, compositor, tradutor e poeta. Possui 7 CDs individuais. Já fez shows no Brasil inteiro, EUA, Europa e África.

1 minuto de silêncio!

Um minuto de silêncio, por favor!

O barulho e os ruídos estão por toda a parte, não é verdade? Hoje você entra em um ônibus a caminho de casa ou trabalho e um sujeito liga aqueles super celulares no último volume; para quem mora em condomínios há aqueles vizinhos que conversam alto (tarde da noite) quando sobem as escadas como se só eles morassem ali… O mau uso do som realmente não tem limites e parece que a cada dia as pessoas estão se acostumando a abusar dos decibéis que vão além do que o nosso ouvido pode aguentar. Esses “invasores” de nossa audição ganharam mais vida de uns tempos pra cá.

Você já percebeu que o barulho é algo que tira o sono, a paciência e o humor. Fiquei surpreso com a definição de ruído: “som desarmônico, som com vibrações irregulares, som continuado (repetição); ou seja, algo que incomoda, que fere. Um minuto de silêncio, por favor!

Apesar do grande incômodo do “ruído físico”, o pedido de silêncio que muitos de nós gostaríamos de fazer talvez nem esteja relacionado primeiramente com o volume exagerado de nossa voz ou dos equipamentos que usamos. É interessante ver quando o árbitro de futebol anuncia o tradicional “um minuto de silêncio” antes do início de uma partida; é aquela parada para uma breve reflexão onde o respeito é requisitado a todos no estádio, pois algo desagradável aconteceu.

O silêncio é uma atitude reveladora e transformadora, assim como o barulho e as palavras em excesso!
Podemos marcar negativamente a vida de alguém quando dizemos algo incoveniente. Podemos “matar” usando apenas algumas palavras cortantes, e quando isso acontece cumprimos aquilo que está escrito naquele belo livro de capa preta onde Tiago diz que nossa boca pode provocar incêndios em uma floresta!

Assim como um pequeno leme dirige um navio, a língua pode dirigir a vida de muitos rumo a graves acidentes, e você sabe: acidentes geralmente envolvem outras pessoas. Os ruídos e os barulhos infernais à nossa volta talvez sejam uma reverberação, um reflexo daquilo que está dentro de nós! Precisamos de uma pausa! Preciso de uma pausa!

Um minuto de silêncio, por favor!


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